A chave para um bom prognóstico no glaucoma é o diagnóstico em estágios iniciais. Para isso, o médico oftalmologista utiliza um conjunto de exames que formam o que chamamos de “tripé da sustentação do diagnóstico e controle da doença”: tonometria, oftalmoscopia e campimetria.
Tonometria: Este exame mede a pressão intraocular (PIO). O tonômetro de Goldmann é considerado o mais preciso e amplamente utilizado. A PIO normal varia entre 11 e 21 mmHg, mas lembre-se: uma PIO normal não exclui o glaucoma (como no GPN), e uma PIO elevada por si só não confirma o diagnóstico.
Oftalmoscopia: É a avaliação do fundo do olho, com foco na escavação e possíveis danos no nervo óptico. No glaucoma, o nervo óptico sofre um dano característico, com afinamento da sua borda neurorretiniana e aumento da escavação, muitas vezes progredindo na região temporal inferior. A documentação cuidadosa, por meio de esquemas ou fotografias, é essencial para o acompanhamento da doença.
Campimetria computadorizada (Perimetria): Considerada o padrão-ouro para avaliar o campo visual no glaucoma. Este exame mapeia sua visão periférica e central, identificando perdas no campo visual que são típicas da doença, como escotomas (pontos cegos) e o “degrau nasal”. A perimetria automatizada pode, no entanto, mostrar alterações apenas em estágios mais avançados da doença.
Além desses, exames complementares como a Tomografia de Coerência Óptica (OCT), que permite visualizar as camadas de fibras nervosas da retina e o nervo óptico em detalhes para detectar alterações estruturais precoces, e a Gonioscopia, para avaliar o ângulo iridocorneano e classificar o tipo de glaucoma, são cruciais.
É alarmante que, no Brasil, dados de um estudo recente mostram que 26% dos olhos avaliados já apresentavam alterações perimétricas avançadas na primeira consulta de diagnóstico. Três pacientes inclusive já apresentavam cegueira legal em ambos os olhos. Isso reforça a realidade do diagnóstico tardio em nosso país e a urgência de conscientização.